Sumário
- Sumário
- Definição e epidemiologia
- Classificações essenciais
- 1) Por fração de ejeção do VE (FEVE)
- 2) Funcional (NYHA)
- 3) Estadiamento evolutivo (AHA/ACC)
- Fisiopatologia (mecanismo)
- Sistema renina–angiotensina–aldosterona (SRAA)
- Sistema nervoso simpático (SNS)
- Peptídeos natriuréticos (BNP/NT-proBNP e ANP)
- Remodelamento ventricular
- Etiologia e fatores precipitantes
- Principais causas
- Descompensação aguda (gatilhos comuns)
- Quadro clínico
- Sintomas
- Exame físico (achados clássicos)
- Diagnóstico (padrão-ouro e exames)
- Abordagem geral
- Critérios diagnósticos modernos (especialmente ICFEp)
- Critérios de Framingham
- Exames complementares (arsenal)
- Tratamento
- Objetivos
- ICFEr — “Quadrilátero fantástico”
- Terapias adjuvantes e situações específicas
- IC aguda (descompensação) — classificação de Stevenson
- IC aguda e choque cardiogênico do perfil hemodinâmico ao tratamento
- 1) Conceitos-chave
- 2) Avaliação inicial em 10 minutos (triagem prática)
- 3) Manejo da congestão (perfil B quente e úmido)
- Diurético de alça EV (furosemida) — uso racional
- Resistência diurética (se congestão persiste)
- Vasodilatadores (quando ajudam e quando evitá-los)
- 4) Suporte ventilatório (edema agudo de pulmão)
- 5) Choque cardiogênico (perfil C 0 frio e úmido)
- Definição prática
- Conduta em sequência (checklist)
- 6) Critérios de alta e transição segura (IC aguda)
- Prognósticos
- Resumo visual
- Flashcards rápidos
- Casos clínicos para treino (nível médico)
- Caso 1 — ICFEr pós-IAM, “quente e úmido”
- Caso 2 — ICFEp em idoso hipertenso, diagnóstico desafiador
- Caso 3 — IC aguda com hipoperfusão (“frio e úmido”)
- Caso 4 — Gatilho por FA com alta resposta ventricular
- Caso 5 — Framingham na prática
Definição e epidemiologia
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa decorrente de anormalidade estrutural e/ou funcional do coração que compromete o enchimento ventricular e/ou a ejeção de sangue, resultando em hipoperfusão sistêmica e/ou congestão venosa.
Epidemiologia e relevância clínica
- Condição de alta prevalência, principalmente em pessoas idosas, com impacto importante em mortalidade, hospitalizações e qualidade de vida.
- Em geral, doença arterial coronariana e hipertensão arterial são as etiologias mais frequentes em muitos cenários clínicos.
Classificações essenciais
1) Por fração de ejeção do VE (FEVE)
Tipo | FEVE | Características fisiopatológicas |
ICFEr (fração de ejeção reduzida) | < 40% | Disfunção sistólica, dilatação ventricular, remodelamento excêntrico. |
ICFEmr (fração de ejeção levemente reduzida / intermediária) | 41–49% | Mecanismos mistos de disfunção sistólica e diastólica. |
ICFEp (fração de ejeção preservada) | ≥ 50% | Evidência de disfunção diastólica e/ou aumento de BNP/NT-proBNP. Hipertrofia concêntrica, complacência reduzida, pressão de enchimento elevada. |
2) Funcional (NYHA)
Classe | Sintomas |
I | Sem limitação para atividades habituais. |
II | Discreta limitação, sintomas com esforço habitual. |
III | Limitação acentuada, sintomas com esforços menores que os habituais. |
IV | Sintomas em repouso. |
3) Estadiamento evolutivo (AHA/ACC)
Estágio | Caracterização |
A | Risco de IC (fatores de risco), sem lesão estrutural ou sintomas. |
B | Doença cardíaca estrutural, ainda assintomática. |
C | Doença estrutural + sintomas prévios ou atuais. |
D | IC refratária, requer terapias avançadas (inotrópicos, dispositivos, transplante). |
Fisiopatologia (mecanismo)
A IC envolve mecanismos neuro-hormonais compensatórios que, embora mantenham o débito cardíaco inicialmente, tornam-se deletérios cronicamente, promovendo remodelamento ventricular patológico.
Sistema renina–angiotensina–aldosterona (SRAA)
- ↓ débito renal → ↑ renina → angiotensinogênio → angiotensina I → angiotensina II (via ECA).
- Angiotensina II:
- Vasoconstrição e ↑ pós-carga.
- Estímulo de aldosterona → retenção de Na⁺ e H₂O.
- Efeito trófico: fibrose e remodelamento.
Sistema nervoso simpático (SNS)
- Ativação β-adrenérgica → ↑ FC e contratilidade (curto prazo).
- Crônico: ↑ consumo de O₂, apoptose, arritmogênese e downregulation de receptores β1.
Peptídeos natriuréticos (BNP/NT-proBNP e ANP)
- Secretados por distensão das câmaras.
- Efeitos: natriurese, vasodilatação, inibição de SRAA e SNS.
- Valor diagnóstico e prognóstico.
Remodelamento ventricular
- Excêntrico: dilatação e afinamento parietal (típico da ICFEr).
- Concêntrico: hipertrofia e rigidez (frequente na ICFEp).
Pérola clínica: a ativação neuro-hormonal é inicialmente compensatória, mas sustenta a progressão da IC. Por isso, as terapias modificadoras de prognóstico visam bloquear SRAA e SNS.
Etiologia e fatores precipitantes
Principais causas
- Isquêmica: DAC, IAM prévio.
- Hipertensiva: sobrecarga crônica de pressão → hipertrofia → disfunção diastólica/sistólica.
- Chagásica: lesão miocárdica por Trypanosoma cruzi.
- Valvar: estenose/insuficiência mitral ou aórtica.
- Outras: miocardiopatia dilatada idiopática, tóxica (álcool, antraciclinas), periparto, genética.
Descompensação aguda (gatilhos comuns)
- Infecções (pneumonia, ITU)
- Arritmias (FA com alta resposta, taquiarritmias ventriculares)
- Baixa adesão ao tratamento
- IAM / agudização isquêmica
- Sobrecarga volêmica (excesso de sal, AINEs)
- Crise hipertensiva
- TEP, anemia, tireotoxicose
Quadro clínico
Sintomas
- Congestão pulmonar: dispneia aos esforços, ortopneia, dispneia paroxística noturna, tosse noturna, estertores.
- Congestão sistêmica: edema periférico, turgência jugular, refluxo hepatojugular, hepatomegalia dolorosa, ascite.
- Baixo débito: fadiga, intolerância ao exercício, oligúria, confusão mental (IC avançada).
Exame físico (achados clássicos)
- B3 (terceira bulha): aumento de pressão de enchimento e dilatação ventricular.
- Turgência jugular e refluxo hepatojugular.
- Edema periférico.
- Sinais de baixo débito: hipotensão, extremidades frias, pulsos alternantes, ictus deslocado e difuso.
Red flags (gravidade): hipotensão sustentada, extremidades frias e pegajosas, alteração do nível de consciência, oligúria, hipoxemia importante, edema agudo de pulmão, arritmias instáveis.
Diagnóstico (padrão-ouro e exames)
Abordagem geral
- Diagnóstico sindrômico + determinação de fenótipo por FEVE + identificação de etiologia e fatores de descompensação.
Critérios diagnósticos modernos (especialmente ICFEp)
- Em ICFEp, usualmente é necessário integrar:
- Sintomas e sinais de IC.
- FEVE preservada.
- Evidência de pressões de enchimento elevadas e/ou disfunção diastólica.
- Biomarcadores (BNP/NT-proBNP), quando apropriado.
Critérios de Framingham
Critérios maiores | Critérios menores |
Dispneia paroxística noturna | Edema de tornozelos |
Distensão venosa jugular | Tosse noturna |
Estertores pulmonares | Dispneia aos esforços |
Cardiomegalia radiográfica | Hepatomegalia |
Edema agudo de pulmão | Derrame pleural |
B3 (terceira bulha) | Redução da capacidade vital em 1/3 |
Pressão venosa central >16 cmH₂O | Taquicardia (> 120 bpm) |
Refluxo hepatojugular positivo | — |
Framingham: diagnóstico de IC se ≥ 2 maiores ou 1 maior + 2 menores (menores só valem se não explicados por outras causas).
Exames complementares (arsenal)
ECG
- Normal não exclui IC.
- Pode sugerir etiologia: IAM prévio, FA, bloqueios.
- Direciona investigação isquêmica e arritmogênica.
Radiografia de tórax
- Cardiomegalia (IC crônica), congestão venocapilar, linhas B de Kerley, derrame pleural.
Ecocardiograma transtorácico (exame-chave)
- Determina FEVE.
- Avalia valvas, dimensões, espessuras, função VD, pressões de enchimento.
- Doppler tecidual e strain podem identificar disfunção subclínica.
BNP / NT-proBNP
- Correlacionam-se com gravidade e prognóstico.
- Pontos de corte típicos (contexto agudo): BNP > 100 pg/mL ou NT-proBNP > 300 pg/mL sugerem IC.
- [Complemento acadêmico] Interpretar com cautela: valores podem aumentar em idade avançada e disfunção renal, e podem ser menores em obesidade.
Padrão-ouro (quando indicado)
- Cateterismo cardíaco direito é o padrão de referência para medir pressões intracardíacas e perfil hemodinâmico, porém é reservado para cenários selecionados (choque, dúvida diagnóstica, avaliação para terapias avançadas).
Tratamento
Objetivos
- Alívio de sintomas (congestão).
- Redução de mortalidade e hospitalizações.
- Tratamento de causa e comorbidades.
ICFEr — “Quadrilátero fantástico”
Classe | Exemplos | Efeitos principais |
1) Betabloqueadores | Carvedilol, metoprolol succinato, bisoprolol | ↓ mortalidade, bloqueio do SNS, remodelamento reverso. |
2) IECA / BRA / INRA | Enalapril, losartana, sacubitril-valsartana | Inibição do SRAA, ↓ pós-carga, ↓ mortalidade. |
3) ARM | Espironolactona, eplerenona | Bloqueio da aldosterona, ↓ fibrose e retenção hídrica. |
4) iSGLT2 | Dapagliflozina, empagliflozina | ↓ hospitalização e mortalidade, benefício mesmo sem DM2. |
Terapias adjuvantes e situações específicas
- Diuréticos (alívio sintomático): para congestão.
- Ivabradina: FC elevada em ritmo sinusal (selecionar casos).
- Hidralazina + nitrato: opção em casos selecionados (por exemplo, quando não tolera bloqueio do SRAA; e em populações específicas, conforme diretrizes).
- Ferro EV: deficiência de ferro.
Aviso prático: terapias que mudam prognóstico devem ser tituladas de forma gradual, com monitorização de pressão arterial, função renal e potássio.
IC aguda (descompensação) — classificação de Stevenson
Perfil | Congestão | Perfusão | Características clínicas | Conduta |
A — Quente e seco | Não | Preservada | Estável, sem congestão | Ajuste de terapia oral |
B — Quente e úmido | Sim | Preservada | Dispneia, congestão | Diuréticos, vasodilatadores (se adequado) |
C — Frio e úmido | Sim | Reduzida | Hipoperfusão + congestão | Diurético + inotrópico ± vasopressor (ex.: noradrenalina) e considerar suporte circulatório mecânico conforme perfil |
L — Frio e seco | Não | Reduzida | Baixo débito, extremidades frias | Expansão cautelosa; inotrópico se refratário |
IC aguda e choque cardiogênico do perfil hemodinâmico ao tratamento
1) Conceitos-chave
- Eixos principais
- Congestão: pressões de enchimento elevadas → transudação para pulmão/tecidos → dispneia.
- Baixo débito: queda do índice cardíaco → hipoperfusão (confusão, oligúria, extremidades frias).
- IC aguda “de novo”: primeira apresentação de disfunção cardíaca (p.ex., IAM extenso, miocardite aguda, crise hipertensiva, valvopatia aguda).
- IC crônica agudizada: IC conhecida com gatilho (infecção, não adesão, isquemia, arritmia, AINEs/excesso de sal, TEP, anemia, tireotoxicose).
Pérola : “de novo” exige investigar causa-raiz imediatamente; crônica agudizada exige tratar o gatilho + otimizar terapia.
2) Avaliação inicial em 10 minutos (triagem prática)
- ABCDE + monitorização (oximetria, PA, ECG contínuo) e acesso venoso.
- Defina o perfil de Stevenson (A/B/C/L) pelo exame físico:
- Congestão: estertores/crepitações, ortopneia, TJP, refluxo hepatojugular, edema, hepatomegalia.
- Má perfusão: extremidades frias/moteadas, TEC 3 s, pressão de pulso estreita, confusão, oligúria.
- Exames essenciais
- ECG 12 derivações (IAM/arritmias) + troponina conforme quadro.
- RX tórax (congestão/derrame/cardiomegalia).
- Gasometria se dispneia grave/hipercapnia; lactato se suspeita de choque.
- Função renal e eletrólitos (ureia/creatinina, Na⁺/K⁺/Mg²⁺).
- BNP/NT-proBNP (ajuda quando diagnóstico é incerto; interpretar com cautela em DRC/idade/obesidade).
- POCUS (quando disponível; acelera muito a decisão):
- Pulmão: linhas B difusas bilaterais sugerem edema cardiogênico.
- VCI: VCI dilatada e pouco colapsável sugere pressão venosa elevada; VCI pequena/colapsável sugere hipovolemia (cuidado com diurese).
- Coração: estimativa visual de função do VE/VD, derrame pericárdico, valvopatias grosseiras.
3) Manejo da congestão (perfil B quente e úmido)
Diurético de alça EV (furosemida) — uso racional
- Dose inicial (bolus EV)
- Se não usa diurético: 20–40 mg EV.
- Se já usa: 1–2× a dose diária oral total como bolus EV inicial (ajustar à gravidade e função renal).
- Bolus repetido vs infusão contínua: em geral, estratégias têm eficácia semelhante; escolha pelo contexto (resposta diurética, logística, estabilidade hemodinâmica).
- Meta clínica
- Alvo prático: melhora de dispneia, queda de TJP/edema, diurese adequada e perda de ~0,5–1 kg/dia (individualizar).
- Sinais de diurese excessiva / alerta: hipotensão, piora abrupta de função renal, hipocalemia/hipomagnesemia.
Resistência diurética (se congestão persiste)
- Confirmar dose/tempo adequados + ingesta de sal e adesão.
- Bloqueio sequencial do néfron: associar tiazídico (p.ex., metolazona/HCZ) ou clortalidona conforme disponibilidade (vigiar Na⁺/K⁺).
- Considerar ultrafiltração em casos selecionados e refratários (serviço especializado).
Vasodilatadores (quando ajudam e quando evitá-los)
- Considerar se PAS ≥ 110 mmHg com congestão importante (reduz pré/pós-carga e alivia trabalho do VE).
- Nitroglicerina EV: particularmente útil no edema agudo de pulmão hipertensivo (titulável).
- Nitroprussiato: potente (arterial/venoso); requer monitorização rigorosa; evitar em hipotensão.
4) Suporte ventilatório (edema agudo de pulmão)
- VNI (CPAP/BiPAP) se paciente colaborativo e protege via aérea.
- CPAP 5–10 cmH₂O: simples e eficaz no edema agudo.
- BiPAP: preferir se hipercapnia/ fadiga (p.ex., DPOC associada).
- IOT se falha de VNI, rebaixamento importante, vômitos incoercíveis, instabilidade/choque ou incapacidade de proteger via aérea.
5) Choque cardiogênico (perfil C 0 frio e úmido)
Definição prática
- Hipotensão (p.ex. PAS < 90 mmHg ou necessidade de vasopressor) + hipoperfusão (lactato elevado, oligúria, confusão, extremidades frias), com evidência de disfunção cardíaca.
Conduta em sequência (checklist)
- Reconhecer e não atrasar: pedir lactato e ecocardiograma/POCUS precocemente.
- Tratar causas potencialmente reversíveis
- IAM (especialmente com supra): reperfusão imediata.
- Taquiarritmias/bradiarritmias: cardioversão/marcapasso conforme instabilidade.
- Complicações mecânicas do IAM (IM aguda, CIV): acionar cardio/hemodinâmica/cirurgia.
- Vasopressor (primeira escolha)
- Noradrenalina para manter PAM ≥ 65 mmHg (titular para perfusão).
- Inotrópico (quando há baixo débito apesar de pressão-alvo)
- Dobutamina: início típico 2–5 mcg/kg/min (cuidado com taquiarritmia).
- Milrinona: alternativa, especialmente se uso crônico de betabloqueador; atenção a hipotensão e ajuste em DRC.
- Levosimendana: pode ser opção em cenários selecionados conforme disponibilidade local.
- Fluidos: apenas se houver evidência de hipovolemia (p.ex., VCI pequena/colapsável) e com reavaliação frequente; evitar “encher” indiscriminadamente.
- Suporte circulatório mecânico (quando refratário)
- Considerar precocemente em choque refratário: BIA, Impella, ECMO VA conforme perfil e disponibilidade institucional.
6) Critérios de alta e transição segura (IC aguda)
- Congestão resolvida (sem ortopneia, edema importante; peso estável 3 24 h).
- Hemodinâmica estável sem drogas EV; diurético VO com resposta.
- Função renal e eletrólitos estáveis/corrigidos.
- Terapia modificadora de prognóstico iniciada/otimizada quando indicado (principalmente ICFEr) + plano de titulação.
- Seguimento precoce (idealmente 4 7 dias) + educação: pesagem diária, restrição de sódio, sinais de alarme.
Prognósticos
- Depende do fenótipo (FEVE), etiologia, comorbidades, adesão e resposta ao tratamento.
- BNP/NT-proBNP elevados associam-se a pior prognóstico.
- [Complemento acadêmico] Piora funcional (NYHA), internações recorrentes e sinais de baixo débito sugerem maior risco e podem indicar avaliação para terapias avançadas.
Resumo visual
- Fisiopatologia: hiperativação SRAA + SNS → fibrose, hipertrofia, apoptose.
- Semiologia: dispneia, B3, turgência jugular, edema, ortopneia.
- Diagnóstico: eco (FEVE) + BNP/NT-proBNP + avaliação etiológica e de gatilhos.
- Tratamento (ICFEr): betabloqueador + IECA/BRA/INRA + ARM + iSGLT2.
- Pontos de prova: Framingham, Stevenson e gatilhos de descompensação.
Flashcards rápidos
- O que define insuficiência cardíaca?
- Síndrome clínica por anormalidade estrutural e/ou funcional do coração que causa hipoperfusão e/ou congestão.
- Como classificar IC pela FEVE?
- ICFEr <40%, ICFEmr 41–49%, ICFEp ≥ 50% com evidência de disfunção diastólica e/ou BNP/NT-proBNP elevados.
- Quais são os 4 pilares de tratamento da ICFEr que mudam prognóstico?
- Betabloqueador, bloqueio do SRAA (IECA/BRA/INRA), ARM e iSGLT2.
- Qual é a regra diagnóstica do Framingham?
- ≥ 2 critérios maiores ou 1 maior + 2 menores (menores sem outra explicação).
- Quais são gatilhos comuns de descompensação aguda?
- Infecção, arritmias, baixa adesão, isquemia/IAM, excesso de sal/AINE, crise hipertensiva, TEP, anemia, tireotoxicose.
Casos clínicos para treino (nível médico)
Caso 1 — ICFEr pós-IAM, “quente e úmido”
Queixa: dispneia progressiva e ortopneia há 3 dias.
História: 62 anos, IAM há 2 anos, HAS, uso irregular de medicações. Refere ganho de peso e piora com excesso de sal.
Exame físico: PA 150/92, FC 108, SatO₂ 91% em ar ambiente. Turgência jugular, estertores bibasais, B3, edema maleolar 2+/4+.
Exames: Rx com congestão e cardiomegalia. BNP 1.200. Eco: FEVE 30%, VE dilatado.
Perguntas:
- Qual fenótipo de IC pela FEVE?
- Qual o perfil de Stevenson?
- Quais medidas imediatas são mais apropriadas na descompensação?
- Quais as 4 classes que mudam prognóstico para ICFEr e como você titula de forma segura?
Caso 2 — ICFEp em idoso hipertenso, diagnóstico desafiador
Queixa: dispneia aos esforços e edema leve há meses.
História: 78 anos, HAS de longa data, DM2, IMC 34, dispneia ao subir um lance de escadas, sem história de IAM.
Exame físico: PA 168/86, FC 84, crepitações discretas, edema 1+/4+, sem B3 evidente.
Exames: ECG com HVE. Rx sem cardiomegalia importante. BNP discretamente elevado. Eco: FEVE 60%, hipertrofia concêntrica, sinais de disfunção diastólica e pressão de enchimento elevada.
Perguntas:
- Quais elementos sustentam o diagnóstico de ICFEp?
- Quais diagnósticos diferenciais precisam ser considerados?
- Quais comorbidades devem ser tratadas com prioridade?
Caso 3 — IC aguda com hipoperfusão (“frio e úmido”)
Queixa: sonolência, dispneia e extremidades frias.
História: 55 anos, miocardiopatia dilatada, internações prévias por IC, aderência irregular. Chega ao pronto-socorro confuso.
Exame físico: PA 82/54, FC 118, SatO₂ 88% com desconforto respiratório. Extremidades frias e pegajosas, oligúria, estertores, turgência jugular.
Perguntas:
- Qual perfil de Stevenson e quais “red flags” estão presentes?
- Quais medidas iniciais devem ser priorizadas nas primeiras horas?
- Quando considerar inotrópico e/ou avaliação para terapia avançada?
Caso 4 — Gatilho por FA com alta resposta ventricular
Queixa: palpitações, piora súbita da dispneia.
História: 69 anos, IC conhecida, relata interrupção recente de betabloqueador. Início abrupto de palpitações há 12 horas.
Exame físico: PA 110/70, FC 150 irregular, estertores, edema 2+/4+.
Exames: ECG com FA e alta resposta ventricular.
Perguntas:
- Como a arritmia pode precipitar descompensação?
- Quais estratégias de manejo na fase aguda (controle de frequência/ritmo) são mais adequadas conforme estabilidade?
Caso 5 — Framingham na prática
Queixa: falta de ar noturna.
História: 60 anos, tabagista, HAS. Refere dispneia paroxística noturna e tosse noturna. Nega febre.
Exame físico: turgência jugular, estertores, edema de tornozelos, taquicardia 124 bpm.
Perguntas:
- Quais critérios de Framingham estão presentes (maiores e menores)?
- O paciente preenche critério diagnóstico?

