Capítulo
Capítulo 16 - 17 e 18
Fonte
Rey
Status
Finalizado
Tipo
Resumo
- 1) Agente etiológico e conceitos básicos
- Formas no ciclo vital
- 2) Vetor, reservatórios e epidemiologia (Brasil)
- Vetor
- Reservatórios (conceito prático)
- Nota histórica
- 3) Complexos / espécies e correlações clínicas
- Espécies importantes no Brasil
- 4) Ciclo biológico
- No hospedeiro invertebrado (flebotomíneo)
- No hospedeiro vertebrado
- 5) Patogênese e resposta imune
- 6) Formas clínicas
- 6.1 Leishmaniose tegumentar americana (LTA)
- Leishmaniose cutânea
- Leishmaniose mucocutânea
- Leishmaniose cutânea difusa
- 6.2 Leishmaniose visceral (calazar)
- 7) Diagnóstico (visão prática)
- 8) Tratamento e prevenção
- 8.1 Controle em saúde pública (Brasil)
Essência (prova): Leishmaniose é zoonose por Leishmania (protozoário) transmitida por flebotomíneos ("mosquito‑palha", Lutzomyia no Brasil). Forma promastigota no vetor e amastigota intracelular (macrófagos) no vertebrado.
1) Agente etiológico e conceitos básicos
- Gênero: Leishmania (Kinetoplastida; Tripanosomatídeos).
- Ciclo heteróxeno: vertebrado (reservatórios + humano) e flebotomíneo.
- Tropismo: sistema fagocítico‑mononuclear (SFM) / macrófagos.
Formas no ciclo vital
- Promastigota (flagelada): no trato digestivo do flebotomíneo; a forma metacíclica é a infectante para o vertebrado.
- Amastigota (aflagelada): intracelular em macrófagos no vertebrado; é a forma diagnosticável em esfregaço/aspirado.
2) Vetor, reservatórios e epidemiologia (Brasil)
Vetor
- Flebotomíneos ("mosquito‑palha")
- Brasil: principalmente Lutzomyia.
- Apenas fêmeas são hematófagas.
Reservatórios (conceito prático)
- Silvestres: roedores, marsupiais (ex.: gambás) e outros.
- Peridomiciliares/domésticos: cão é reservatório importante na leishmaniose visceral.
Nota histórica
- A leishmaniose tegumentar no Brasil ficou conhecida como "úlcera de Bauru" em registros do início do século XX.
3) Complexos / espécies e correlações clínicas
Complexo / espécie (visão prática) | Associação clínica mais típica | Observações |
L. (Viannia) braziliensis (complexo braziliensis) | Leishmaniose cutânea com risco de mucosa (mucocutânea) | Relevante nas Américas; importância médica no Brasil. |
L. mexicana (complexo mexicana) | Leishmaniose cutânea | Tende a quadro tegumentar; geralmente sem tendência visceral. |
L. donovani / L. infantum (complexo donovani) | Leishmaniose visceral | Tropismo por SFM (baço, fígado, medula óssea, linfonodos). |
Espécies importantes no Brasil
- Tegumentar (LTA): frequentemente associada a L. braziliensis, L. guyanensis, L. amazonensis.
- Visceral (LV): no Brasil, classica e frequentemente associada a L. infantum (sin. L. chagasi em literatura mais antiga).
4) Ciclo biológico
No hospedeiro invertebrado (flebotomíneo)
- Fêmea ingere macrófagos com amastigotas ao sugar sangue.
- No intestino do vetor: amastigotas → promastigotas, multiplicação.
- Diferenciação em promastigotas metacíclicas (infectantes).
- Migração para porções anteriores do tubo digestivo.
No hospedeiro vertebrado
- Na picada, o flebotomíneo inocula promastigotas metacíclicas.
- Fagocitose por macrófagos/dendríticas.
- Transformação em amastigotas e multiplicação intracelular.
- Ruptura celular e infecção de novos fagócitos → manutenção/expansão do foco.
PONTO DE PROVA:
- Vetor: flebotomíneo.
- Infectante p/ vertebrado: promastigota (metacíclica).
- Forma no humano / diagnosticável em tecido: amastigota intracelular.
5) Patogênese e resposta imune
- A evolução clínica depende do equilíbrio entre:
- parasito (espécie/carga)
- imunidade do hospedeiro (principalmente resposta celular)
- Conceito útil:
- Resposta celular eficaz tende a limitar doença.
- Anérgia/defeito de imunidade celular favorece formas difusas/disseminadas.
6) Formas clínicas
6.1 Leishmaniose tegumentar americana (LTA)
Leishmaniose cutânea
- Lesão(ões) cutânea(s) ulcerada(s) ou não, geralmente em áreas expostas.
- Pode ser única ou múltipla.
Leishmaniose mucocutânea
- Comprometimento de mucosas (nariz, boca, faringe) com lesões destrutivas.
- Pode ocorrer após lesão cutânea inicial (intervalo variável).
Leishmaniose cutânea difusa
- Forma disseminada, com múltiplas lesões e tendência a curso crônico.
- Associada a baixa resposta celular específica.
6.2 Leishmaniose visceral (calazar)
- Doença sistêmica com tropismo pelo SFM (baço, fígado, medula óssea, linfonodos).
- Quadro clínico típico (para prova):
- Febre prolongada
- Perda ponderal e astenia
- Hepatoesplenomegalia (especialmente esplenomegalia)
- Hipergamaglobulinemia
- Pancitopenia (anemia, leucopenia e/ou trombocitopenia)
- Infecções secundárias (por imunossupressão/alterações hematológicas)
- Pode cursar com edema e sangramentos conforme gravidade.
7) Diagnóstico (visão prática)
- Diagnóstico por forma clínica (o que escolher):
- LTA (cutânea/mucosa):
- Parasitológico direto: esfregaço/imprint/aspirado/biópsia com pesquisa de amastigotas.
- Histopatologia: padrão inflamatório + pesquisa do parasito.
- IDRM de Montenegro (reação de Montenegro): sugere sensibilização; útil como apoio (não “prova” doença ativa isoladamente).
- PCR: quando disponível, ajuda na confirmação/identificação.
- LV (visceral):
- Sorologia (conforme protocolo e disponibilidade): teste rápido, ELISA, IFI.
- Parasitológico (quando indicado): pesquisa do parasito em aspirado de medula óssea e, em situações selecionadas e com cuidado, baço (maior rendimento, maior risco).
- PCR: quando houver acesso, como complemento.
Dica de microscopia: amastigotas aparecem como pequenos corpos ovais intracelulares (em macrófagos), frequentemente descritos com cinetoplasto.
8) Tratamento e prevenção
- Tratamento varia conforme forma clínica, gravidade, espécie e protocolos locais.
- Tratamento (esquema “de prova”, visão por classes):
- Antimoniais pentavalentes (ex.: antimoniato de meglumina)
- Anfotericina B (inclusive formulações lipossomais em situações específicas)
- Pentamidina (mais citada em alguns cenários/espécies)
- Miltefosina (onde disponível e conforme indicação)
- Situações que mudam conduta/primeira escolha (alto rendimento em prova):
- Gestação
- Imunossupressão (ex.: HIV, transplantados, uso de imunossupressores)
- Gravidade (sinais de complicação, disfunção orgânica, extremos de idade)
- Prevenção individual: repelentes, telas/mosquiteiros, roupas, evitar exposição em horários de maior atividade do vetor.
- Controle vetorial/ambiental: limpeza de quintais, redução de matéria orgânica/abrigos, ações de vigilância.
8.1 Controle em saúde pública (Brasil)
- Vigilância: notificação, investigação de casos e mapeamento de áreas de transmissão.
- Medidas ambientais: manejo do peridomicílio para reduzir criadouros/abrigos do flebotomíneo (matéria orgânica, locais úmidos/sombreados).
- Reservatório canino (LV): vigilância e manejo conforme diretrizes locais (testagem/monitoramento e medidas para reduzir transmissão), além de educação em saúde.
- Educação em saúde: orientar população sobre vetor, prevenção e busca precoce de atendimento.

