- 1) Funções dos linfócitos T
- 1.1 O que os T fazem (por subpopulação)
- 1.2 Por que o reconhecimento do T é “celular”?
- 2) Onde a resposta T começa? (logística + anatomia do linfonodo)
- 2.1 O problema
- 2.2 A solução: concentrar antígeno em órgãos linfoides secundários
- 2.3 Como T naive e DCs se encontram
- 3) APCs: quem apresenta, quando e para quem
- 3.1 Definições úteis
- 3.2 APCs profissionais (o trio)
- 3.3 O “modelo de 3 sinais” para ativação de T naive
- 4) MHC/HLA: genética, expressão e por que isso importa
- 4.1 Polimorfismo e codominância (por que a espécie sobrevive)
- 4.2 Restrição ao MHC (o que o T realmente reconhece)
- 4.3 Expressão e regulação por citocinas
- 5) MHC Classe I vs Classe II
- 6) Propriedades dos antígenos reconhecidos por T (e exceções importantes)
- 6.1 Regra geral
- 6.2 Por que lineares?
- 6.3 Exceções - Importante!
- 7) Via do MHC I (endógena/citosólica → CD8+)
- 7.1 Fontes típicas de antígeno para MHC I
- 7.2 Passo a passo
- 7.3 Por que o peptídeo é obrigatório?
- 8) Via do MHC II (exógena/vesicular → CD4+)
- 8.1 Como o antígeno entra
- 8.2 Passo a passo (o coração: Ii/CLIP/DM)
- 9) Apresentação cruzada (cross-presentation)
- 9.1 O problema biológico
- 9.2 A solução
- 10) Sinapse imunológica
- 10.1 O que estabiliza o contato
- 10.2 Coestimulação e checkpoints
- 11) Correlações clínicas e “pegadinhas”
- 11.1 Síndrome do linfócito nu (Bare lymphocyte syndrome)
- 11.2 Defeitos na via do MHC I
- 11.3 Transplantes
- 11.4 HLA e associação com doença (conceito)
- 12) Fagocitose (do reconhecimento ao killing)
- 12.1 Para que serve (visão clínica)
- 12.2 Etapas - importante pra prova !!
- 12.3 Receptores de fagocitose
- 12.4 Opsonização (por que “gruda” melhor)
- 12.5 Killing intracelular (visão geral)
- 13) Ativação da imunidade adaptativa (visão integrada)
- 13.1 O gatilho real: inata “autoriza” a adaptativa
- 13.2 Priming de linfócito T
- 13.3 Ativação de linfócito B (o “mínimo necessário”)
- 14) Resposta antiviral (linha do tempo: do inato ao adaptativo)
- 14.1 Primeiras horas: contenção inata
- 14.2 NK: “ponte” entre inata e adaptativa
- 14.3 Dias depois: resposta adaptativa
- 14.4 Evasão viral (conceito que cai)
- 15) EROS e NO (killing microbicida: neutrófilo vs macrófago)
- 15.1 EROS (ROS) — burst respiratório
- 15.2 NO (óxido nítrico) — arma do macrófago ativado
- 15.3 Peroxinitrito (ONOO⁻): sinergia letal
- 15.4 Comparativo “
- 16) Ativação do sistema complemento
- 16.1 Para que serve (3 funções finais)
- 16.2 Vias de ativação (3 entradas, 1 saída)
- 16.3 C3 convertases
- 16.4 Reguladores (por que não nos autodestruímos)
1) Funções dos linfócitos T
1.1 O que os T fazem (por subpopulação)
- T CD8+ (CTL): eliminam células que produzem antígenos no citosol (vírus, alguns patógenos intracelulares, proteínas tumorais).
- mecanismos: perforina/granzimas e FasL–Fas
- T CD4+ (Th): não matam diretamente (na regra), mas comandam:
- Th1: ativação clássica de macrófagos (IFN-γ) e suporte à resposta celular
- Th2: ajuda para resposta contra helmintos e alergia (IL-4/IL-5/IL-13)
- Th17: recrutamento/ativação de neutrófilos e barreiras (IL-17/IL-22)
- Tfh: ajuda para B em centro germinativo (troca de classe, afinidade)
- Treg: freio imunológico e tolerância (IL-10/TGF-β)
PONTO DE PROVA
T CD4+ e CD8+ não são “melhores/piores”: são soluções diferentes para compartimentos diferentes de antígeno.
1.2 Por que o reconhecimento do T é “celular”?
- O TCR reconhece um complexo (peptídeo encaixado na fenda do MHC) porque:
- garante que o T responda a antígeno realmente presente dentro/associado a uma célula
- obriga cooperação com APCs e integração com sinais de perigo/inflamação (imunidade inata)
- Contraste com B:
- B reconhece antígenos intactos (conformacionais) e secreta anticorpos que atuam no meio extracelular.
2) Onde a resposta T começa? (logística + anatomia do linfonodo)
2.1 O problema
- Existem pouquíssimos clones T naive específicos para um epítopo (≈ 1/10⁵–10⁶ linfócitos).
- É inviável “caçar” antígeno em todos os tecidos.
2.2 A solução: concentrar antígeno em órgãos linfoides secundários
- Linfonodos amostram antígenos vindos de tecidos via linfáticos aferentes.
- Baço amostra antígenos do sangue.
- MALT (tonsilas, placas de Peyer etc.) amostra antígenos de mucosas.
2.3 Como T naive e DCs se encontram
- T naive entram no linfonodo por vênulas de endotélio alto (HEV) e migram para a zona T.
- DCs capturam antígeno em tecidos e, ao ativarem-se, passam a expressar CCR7.
- CCR7 “puxa” a DC para gradientes de CCL19/CCL21 (linfáticos + zona T).
- Resultado: colocalização de DCs carregadas com antígeno + T naive na zona T.
Mnemônico
- CCR7 = “rota para o linfonodo” (DC madura e T naive usam CCR7 para se encontrar).
3) APCs: quem apresenta, quando e para quem
3.1 Definições úteis
- APC (uso clássico): célula que apresenta em MHC II para T CD4+.
- Todas as células nucleadas apresentam em MHC I para T CD8+.
3.2 APCs profissionais (o trio)
- Células dendríticas (DCs)
- melhores para priming de T naive
- ao reconhecer PAMPs/DAMPs: aumentam MHC, B7 (CD80/CD86), citocinas (p. ex., IL-12) e migram ao linfonodo
- Macrófagos
- importantes na fase efetora: apresentam antígenos de microrganismos fagocitados para Th1 → macrófago fica mais microbicida
- Linfócitos B
- internalizam antígeno via BCR, apresentam em MHC II e recebem ajuda de Tfh → anticorpos melhores (classe/afinidade)
3.3 O “modelo de 3 sinais” para ativação de T naive
- Sinal 1: TCR + peptídeo–MHC
- Sinal 2 (coestimulação): B7 (CD80/86) na APC + CD28 no T
- sem sinal 2 → anergia/tolerância periférica (conceito fundamental)
- Sinal 3 (citocinas): citocinas da APC determinam polarização (Th1/Th2/Th17/Tfh/Treg)
PONTO DE PROVA
- Antígeno sem coestimulação costuma induzir tolerância, não imunidade.
- Adjuvantes funcionam porque acionam imunidade inata → ↑ coestimulação + citocinas.
4) MHC/HLA: genética, expressão e por que isso importa
4.1 Polimorfismo e codominância (por que a espécie sobrevive)
- Polimorfismo extremo: milhares de alelos HLA na população → impede que um patógeno “escape” de todo mundo ao mesmo tempo.
- Codominância: você expressa alelos do pai e da mãe → maior repertório de peptídeos apresentados.
4.2 Restrição ao MHC (o que o T realmente reconhece)
- O TCR reconhece simultaneamente:
- resíduos do peptídeo expostos para cima
- e partes polimórficas do MHC
- Consequência: um T é específico para um peptídeo específico apresentado por um MHC específico.
4.3 Expressão e regulação por citocinas
- MHC I: praticamente todas as células nucleadas.
- ↑ com IFN tipo I (IFN-α/β) e IFN-γ → aumenta “visibilidade” para CTL
- MHC II: principalmente APCs profissionais.
- ↑ com IFN-γ (eixo Th1/NK)
- controle transcricional por CIITA (regulador-mestre da expressão de MHC II)
Correlação clínica rápida
- Defeitos de MHC II/CIITA → quadro tipo “bare lymphocyte syndrome” com falha de CD4.
5) MHC Classe I vs Classe II
Aspecto | MHC Classe I (HLA-A, -B, -C) | MHC Classe II (HLA-DR, -DQ, -DP) |
Quem expressa | Todas as células nucleadas (e plaquetas pouco/variável) | DC, macrófago, B (e epitélio tímico; induzível em alguns outros tipos celulares) |
Estrutura | Cadeia α (α1/α2 = fenda; α3 = domínio Ig) + β2-microglobulina | Duas cadeias: α • β (α1/β1 formam a fenda) |
Fenda | Fechada → peptídeos ~8–11 aa | Aberta → peptídeos ~10–30+ aa |
Origem do peptídeo | Citosólica/endógena | Vesicular/exógena (endossomo/lisossomo) |
Linfócito T | CD8+ | CD4+ |
Assinaturas moleculares | Proteassoma → TAP → RE → tapasina | Ii → CLIP → HLA-DM |
6) Propriedades dos antígenos reconhecidos por T (e exceções importantes)
6.1 Regra geral
- A maioria dos T reconhece peptídeos derivados de proteínas.
- Por isso respostas T são tipicamente contra antígenos proteicos.
6.2 Por que lineares?
- Peptídeos se ligam à fenda do MHC em conformação estendida.
- Epítopos conformacionais (dependentes de dobramento) são típicos de reconhecimento por anticorpos/BCR.
6.3 Exceções - Importante!
- Lipídios/glicolipídios podem ser apresentados por CD1 (T invariantes/NKT) — não é o foco principal aqui, mas é a grande exceção “não peptídeo”.
- Superantígenos (toxinas bacterianas) podem ativar T de forma policlonal ao “pontear” TCR Vβ e MHC II fora da fenda — clínica de choque/toxic shock.
7) Via do MHC I (endógena/citosólica → CD8+)
7.1 Fontes típicas de antígeno para MHC I
- Proteínas virais sintetizadas no citosol.
- Proteínas tumorais (mutadas/aberrantes) no citosol.
- Antígenos de microrganismos que escapam para o citosol (p. ex., Listeria).
7.2 Passo a passo
- Ubiquitinação marca proteínas para degradação.
- Proteassoma gera peptídeos.
- Em inflamação (IFN-γ), forma-se imunoproteassoma, que tende a gerar peptídeos mais adequados para MHC I.
- TAP1/2 transporta peptídeos do citosol para o RE.
- No RE, ocorre o “complexo de carregamento” do MHC I:
- chaperonas ajudam a dobrar e carregar peptídeos
- tapasina aproxima MHC I do TAP (otimiza carregamento)
- ERAP pode “aparar” peptídeos para o tamanho ideal
- Somente o complexo MHC I + β2m + peptídeo é estável → segue para Golgi e membrana.
PONTO DE PROVA (sequência)
Proteassoma → TAP → RE (carregamento) → Golgi → superfície
7.3 Por que o peptídeo é obrigatório?
- MHC I vazio é instável e tende a ser retido/degradado.
- Isso garante que a célula exponha preferencialmente MHC “informativo” (carregado).
8) Via do MHC II (exógena/vesicular → CD4+)
8.1 Como o antígeno entra
- Fagocitose (partículas/microrganismos)
- Endocitose mediada por receptor (FcR, complemento)
- BCR em linfócito B (captura altamente específica)
8.2 Passo a passo (o coração: Ii/CLIP/DM)
- Antígeno é degradado em endossomos/lisossomos (catepsinas; pH ácido).
- MHC II é sintetizado no RE com cadeia invariante (Ii):
- bloqueia a fenda (evita peptídeos do RE)
- direciona o MHC II para compartimento endossomal especializado (MIIC)
- Ii é clivada e vira CLIP.
- HLA-DM remove CLIP e promove edição (favorece peptídeos de maior estabilidade/afinidade).
- HLA-DO pode modular DM em alguns contextos (especialmente em células B).
- Complexo peptídeo–MHC II vai para a membrana.
PONTO DE PROVA
MHC II: Ii → CLIP → HLA-DM (e DM “edita” peptídeos melhores).
9) Apresentação cruzada (cross-presentation)
9.1 O problema biológico
- Para ativar T CD8+ naive, a APC ideal é a DC.
- Só que muitos vírus infectam “tecido” (epitélio, hepatócito etc.) e não infectam DCs eficientemente.
9.2 A solução
- DC (especialmente cDC1) capta células infectadas/tumorais ou seus antígenos e consegue encaminhar parte desses antígenos para a via de MHC I.
- Resultado: cross-priming de T CD8+ contra antígeno que veio “de fora” da DC.
PONTO DE PROVA
Cross-presentation = exógeno → MHC I → CD8+ (exceção clássica).
10) Sinapse imunológica
10.1 O que estabiliza o contato
- TCR–peptídeo–MHC é o reconhecimento específico.
- CD4/CD8 aumentam avidez e trazem quinases (p. ex., Lck) para sinalização.
- Moléculas de adesão (ex.: integrinas como LFA-1 no T ligando ICAM-1 na APC) estabilizam a “plataforma”.
10.2 Coestimulação e checkpoints
- CD28–B7: acelera ativação/IL-2/sobrevivência.
- CTLA-4 e PD-1: freios fisiológicos (e alvos de imunoterapia).
11) Correlações clínicas e “pegadinhas”
11.1 Síndrome do linfócito nu (Bare lymphocyte syndrome)
- Defeito em MHC II (p. ex., CIITA ou fatores associados) → falha de desenvolvimento/funcão de CD4+ → imunodeficiência combinada funcional.
11.2 Defeitos na via do MHC I
- Deficiência de TAP → baixa expressão de MHC I → defeito de apresentação para CD8+ (infecções respiratórias recorrentes, entre outros fenótipos descritos em imunologia).
- Defeitos de β2-microglobulina → MHC I instável/baixo.
11.3 Transplantes
- Alorreconhecimento de HLA é base da rejeição.
- Direto (APC do doador) vs indireto (APC do receptor) são conceitos clássicos.
11.4 HLA e associação com doença (conceito)
- Certos alelos HLA se associam a doenças (autoimunes/inflamatórias) por mecanismos que envolvem apresentação, repertório T e inflamação.
12) Fagocitose (do reconhecimento ao killing)
12.1 Para que serve (visão clínica)
- Principal mecanismo para eliminar bactérias e fungos extracelulares e “limpar” detritos/células mortas.
- É central para a ponte inata → adaptativa, porque o material fagocitado alimenta a via de MHC II.
12.2 Etapas - importante pra prova !!
- Quimiotaxia/recrutamento (IL-8/CXCL8, C5a, LTB4, produtos bacterianos).
- Reconhecimento e adesão ao alvo.
- Englobamento → formação do fagossomo.
- Fusão com lisossomos → fagolisossomo.
- Killing e digestão (EROS, NO, enzimas lisossomais).
- Destino do material: exocitose de resíduos + apresentação antigênica.
12.3 Receptores de fagocitose
- PRRs (ex.: receptores de manose/lectinas tipo C, scavenger) → reconhecem PAMPs.
- Receptores para opsoninas:
- FcγR (IgG) → fagocitose muito eficiente.
- CR1/CR3 (C3b/iC3b) → opsonização por complemento.
12.4 Opsonização (por que “gruda” melhor)
- Opsoninas principais:
- IgG (principalmente IgG1/IgG3)
- C3b / iC3b
- (também: coletinas como MBL)
12.5 Killing intracelular (visão geral)
- Oxigênio-dependente: burst respiratório → EROS (ver seção 15).
- Oxigênio-independente: defensinas, lisozima, lactoferrina, proteases.
PONTO DE PROVA
Opsonização (IgG/C3b) é o que transforma uma partícula “escorregadia” em uma partícula fácil de fagocitar.
13) Ativação da imunidade adaptativa (visão integrada)
13.1 O gatilho real: inata “autoriza” a adaptativa
- A imunidade adaptativa é mais potente, mas precisa de controle.
- A ativação robusta de T/B acontece quando a APC detecta perigo (PAMPs/DAMPs) e aumenta:
- MHC
- coestimulação (CD80/CD86)
- citocinas polarizadoras
13.2 Priming de linfócito T
- Onde: zona T de linfonodo/baço.
- Quem: DC madura.
- Como:
- Sinal 1 (TCR–peptídeo–MHC)
- Sinal 2 (CD28–B7)
- Sinal 3 (citocinas)
- Resultado: expansão clonal + diferenciação (Th1/Th2/Th17/Tfh/Treg ou CTL).
13.3 Ativação de linfócito B (o “mínimo necessário”)
- Sinal 1: BCR liga antígeno (e internaliza).
- Apresentação em MHC II para Tfh.
- Sinais de Tfh:
- CD40L–CD40 (essencial)
- citocinas (p. ex., IL-21, IL-4)
- Consequências:
- troca de classe (IgM → IgG/IgA/IgE)
- maturação de afinidade (hipermutação somática)
- plasmócitos e memória
Correlação clínica clássica
Defeito de CD40L (síndrome Hiper-IgM ligada ao X) → falha de troca de classe e predisposição a infecções.
14) Resposta antiviral (linha do tempo: do inato ao adaptativo)
14.1 Primeiras horas: contenção inata
- Sensores (PRRs): TLR3, TLR7/8; RIG-I; MDA5.
- Citocina central: IFN tipo I (IFN-α/β).
- Efeitos do IFN tipo I:
- induz estado antiviral (inibe replicação)
- ↑ MHC I (melhora apresentação para CD8)
- ↑ atividade de NK
14.2 NK: “ponte” entre inata e adaptativa
- NK mata células com:
- redução de MHC I (“missing self”) ou
- sinais ativadores por estresse/infecção
- NK também produz IFN-γ, favorecendo resposta tipo Th1.
14.3 Dias depois: resposta adaptativa
- CTL (CD8+): elimina reservatórios virais ao matar células infectadas.
- Th1 (CD4+): IFN-γ e suporte para CD8/macrófagos.
- Anticorpos:
- neutralização (impede entrada do vírus)
- opsonização
- ativação do complemento (alguns vírus)
14.4 Evasão viral (conceito que cai)
- Inibição de IFN tipo I.
- Bloqueio de processamento/apresentação por MHC I.
- “Downregulation” de MHC I (bom para escapar de CTL, mas pode ativar NK).
PONTO DE PROVA
Eixo antiviral: PRR → IFN tipo I → NK + ↑MHC I → CD8 (CTL).
15) EROS e NO (killing microbicida: neutrófilo vs macrófago)
15.1 EROS (ROS) — burst respiratório
- Enzima-chave: NADPH oxidase (NOX2).
- Produto inicial: O₂⁻ (superóxido) → vira H₂O₂ (pela SOD).
- Em neutrófilos: MPO usa H₂O₂ + Cl⁻ → HOCl (hipocloroso; “água sanitária”).
15.2 NO (óxido nítrico) — arma do macrófago ativado
- Enzima: iNOS (NOS2).
- Indução típica: PAMPs (TLR) + IFN-γ (Th1/NK).
- Reação: L-arginina → NO + citrulina.
15.3 Peroxinitrito (ONOO⁻): sinergia letal
- NO + O₂⁻ → ONOO⁻ (peroxinitrito) → dano a lipídios, proteínas e DNA microbiano.
15.4 Comparativo “
Aspecto | EROS (burst) | NO |
Principal célula | Neutrófilo (e macrófago) | Macrófago ativado (M1) |
Tempo | Rápido (minutos) | Mais lento (induzível; horas) |
Indução | Ativação de NOX2 | TLR + IFN-γ → iNOS |
Clínica | Defeitos de NOX2 → Doença Granulomatosa Crônica | Falha de eixo IL-12/IFN-γ → susceptibilidade a micobactérias (conceito) |
16) Ativação do sistema complemento
16.1 Para que serve (3 funções finais)
- Opsonização: C3b/iC3b facilita fagocitose.
- Inflamação e quimiotaxia: C3a/C5a (anafilatoxinas; C5a é quimiotático potente).
- Lise: MAC (C5b-9), importante para algumas bactérias.
16.2 Vias de ativação (3 entradas, 1 saída)
- Via clássica: C1q liga IgM/IgG em complexo imune.
- Via lectina: MBL/ficolinas reconhecem carboidratos microbianos.
- Via alternativa: ativação basal (“tickover”) amplificada em superfícies microbianas.
- Convergência: todas geram C3 convertase → C3b → C5 convertase → MAC.
16.3 C3 convertases
- Clássica/lectina: C4b2a
- Alternativa: C3bBb
16.4 Reguladores (por que não nos autodestruímos)
- DAF (CD55) e MCP (CD46): limitam convertases.
- CD59: bloqueia formação de MAC.
- Fator H/I: inativam C3b.
PONTO DE PROVA
Complemento é uma cascata de amplificação: o passo-chave é gerar C3b (opsonina) e C5a (inflamação).

